Panos quentes
Texto de Cristina Lôbo
Depois que a temperatura no Senado chegou às alturas com troca de acusações entre aliados do PT e do PMDB, representantes do governo entraram em campo para tentar pacificar a base e evitar que as brigas no legislativo pudessem afetar os interesses do Palácio do Planalto. Um encontro entre representantes do PT e do PMDB foi articulado, com a presença do ministro da Articulação Política, José Múcio Monteiro.
O grupo do PMDB acusava Tião Viana de estar municiando a imprensa com números sobre os gastos exorbitantes do Senado. Até que um torpeto, atribuído ao PTB, atingiu Tião Viana: veio a público que o senador petista cedera seu telefone celular funcional a uma filha que estava em viagem ao México.
- Atuamos para restabelecer o clima, a relação de cordialidade e equilibrar a base aliada - disse o senador Romero Jucá (PMDB), que se mostrou preocupado “com a escalada de animosidade” entre os dois lados.
Do jantar participaram os petistas Aloízio Mercadante e Ideli Salvatti; do PMDB, Renan Calheiros e Romero Jucá. E do PT o líder Gim Argelo e o ministro José Múcio Monteiro.
Iritado com a divulgação do caso do telefone celular emprestado à filha, Tião Viana ameaçava subir à tribuna para responder com outras denúncias. Foi contido pelos petistas.
A conversa começou tensa com clima de “lavagem de roupa suja”. Mercadante reclamou de Renan, com quem está estremecido desde que Renan foi obrigado a deixar a presidência do Senado, por conta do apoio dado a Fernando Collor na disputa pela Comissão de Infraestrutura do Senado, derrotando a petista Ideli.
- É preciso zerar o processo, o passivo recente - disse um dos presentes, quando José Múcio Monteiro recorreu a William Shakespeare para propor a trégua e que as diferenças fossem superadas: “mágoa é um veneno que a gente toma pensando que vai matar o outro”.
Na tentativa de virar a página, PT e PMDB devem apresentar juntos temas para compor o que chamam de “agenda positiva” com a retomada das votações a partir da semana que vem